terça-feira, 2 de janeiro de 2018

PERSPECTIVAS

Talvez porque hoje é o primeiro dia útil do ano, acordei com esta palavra martelando meus sentidos. As perspectivas para 2018! O termo têm vários significados.  Originada do latim ‘perspicere’, significa ‘ver através’, de PER, através, mais SPECERE, ‘olhar para’. É o modo através do qual alguma coisa é representada ou vista; processo de representação de objetos tridimensionais sobre uma superfície plana, feito a partir das linhas que convergem para uma marca central. É tudo o que se consegue ver ao longe, aquilo que os olhos alcançam desde um lugar; sensação esperançosa, expectativa.
Vou me ater à perspectiva como a sensação de esperança, de expectativas para este ano. Minha análise astrológica diz que este será um período propício para estabelecer acordos e parcerias. Pois bem, a primeira e maior parceria que desejo fazer é comigo mesma. Quero estabelecer acordo com minha consciência, de que neste ano vou traçar poucas metas, mas vou concluí-las e com êxito; vou ser menos ansiosa, mais resiliente, persistente e generosa. Não vou permitir pensamentos negativos, nenhuma ideia pessimista e se alguma surgir vou banir.  Firmarei parceria com a paz de espírito de modo que nenhum ruído externo possa me aborrecer e se acontecer, saberei contornar e me realinhar. Vou cuidar do meu corpo como santuário da minha alma, cultivando os hábitos saudáveis e a calma.
No meu lar e com os amigos vou manter diálogos edificantes, não permitirei vozes alteradas nem silêncios constrangedores, e se acontecer vou preencher com uma frase bem humorada que resulte numa gargalhada.
Assim, justa e contratada comigo mesma, vou iniciar o ano tentando não quebrar nenhuma cláusula deste contrato, cumprindo as obrigações, preservando o objeto, na perspectiva de renovação para muitos outros períodos.  

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

VÉSPERA

A palavra que amanheceu na minha cabeça hoje é véspera. Do latim ‘vespera,ae’, à tarde, ao cerrar da noite. É o dia que imediatamente antecede aquele de que se trata. A véspera do feriado, do Natal, do Ano Novo, do casamento, do aniversário...
O dia da véspera sempre se sabe, menos a véspera da nossa morte. Este dia que embora seja certo, não conhecemos, tem véspera indeterminada.
Como sempre fui muito ansiosa, toda véspera de uma data importante, causava-me aflições, palpitações, até enjoos conforme a ocasião, independente do evento do dia seguinte ser bom, ruim, ou imprevisível. O tempo e a maturidade me fez ter controle maior sobre as emoções. Já não tenho palpitações, nem enjoos, embora ainda perca o sono. Véspera para mim não é palavra nem instante muito agradável. Metaforicamente podemos dizer que quem se antecipa muito a ponto de ficar ansioso ou nervoso está sofrendo antes da hora – daí surge a frase “o peru é quem sofre de véspera” – pois bem, eu sou como o peru.
Assim, bom mesmo no meu entender é o dia do fato, vésperas não. Gosto é da véspera de nada, só esta me deixa em grande sossego, me traz tranquilidade. Vésperas de viagem abomino, esconjuro. È uma gama de correrias, miudezas para ajeitar, atenção redobrada a esquecimentos, listinhas, ânsias...  Bom mesmo é a véspera de não partir nunca, como diz Álvaro Campos – heterônimo de Fernando Pessoa, num poema: “Na véspera de não partir nunca, ao menos não há que arrumar malas, nem fazer planos em papel... Não há que fazer nada na véspera de não partir nunca...”.
Augusto dos Anjos, também deveria ter mau palpite quanto às vésperas, fato é que escreve em seu poema ‘Versos Íntimos’: “Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro”. Disse tudo.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017


Na onda da Black Friday
Black Friday é uma expressão em inglês, que significa Sexta Feira Negra. É a sexta feira depois do dia de Ação de Graças. Este termo teve origem nos Estados Unidos, e é um dia especial porque as lojas fazem grandes descontos, e por isso muitas pessoas compram presentes para o Natal. Ocorre na última Sexta Feira do mês de Novembro. Black Friday pode também se referir a qualquer sexta-feira em que ocorra uma calamidade pública. Nesse caso, a explicação se deve ao fato de a cor negra ter sido historicamente associada a conceitos negativos, como em “mercado negro” e “ovelha negra", entre outras expressões. Os varejistas americanos logo perceberam que essa seria uma excelente oportunidade para criarem um dia de liquidações especiais atraindo mais consumidores.
Reeditando o modelo americano, as empresas brasileiras entraram na onda das super ofertas. Neste mês de novembro não há loja que não tenha promoções especiais. Peguei carona e fui procurar a Black Friday que me importava: um bom colchão a preço justo. Um colchão cuja relação entre o investimento, valor gasto, e o que se recebe como lucro me desse um bom resultado de satisfação.
Romaria pelas lojas, conversas com vendedores, todos muito simpáticos, mostrando as qualidades do produto. Uns de espuma, outros de molas simples ou ensacadas, uns de tecido frio, que transpira, antialérgico e o escambau.  Ao fim de umas duas horas eu já havia me deitado em vários colchões, obtido inúmeros orçamentos, todos com super descontos da sexta-feira negra. Estava cansada, indecisa e irritada.
Voltando pra casa, lembrei-me do colchão de pano de algodão e palhas de milho secas onde dormi toda minha infância e parte da adolescência. Não havia outras opções, ofertas, promoções. O sono era profundo, tranquilo, reparador. As sextas-feiras eram apenas o último dia da semana e novembro o prelúdio do mês natalino. E a vida tinha mais graça!